Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Ensino Bárbaro!!!

Alguns amigos indicaram e eu repasso a dica...
Veja essa charge do charges.com.br


Essa Cerimônia de "Colocação de Grau" é perfeita!
O retrato da prática de muitas Instituições Particulares de Ensino Superior (e de Ensino Fundamental e Médio também), em que ao professor é vetada a prática de avaliação devida de seus alunos, que por sua vez, diante dessa realidade, simplesmente...se transformam nisso aí.
Destaque para:
"Do que é que esse MEC entende?"
"Lá na OB eles faiz umas prova difícil pra ferrar nóis"
"Eles botam umas frase lá que vêm do Latim. Agora, lá no Latim, eles fala português? Então por que que nóis tem que aprender latinês?"
"Então eu peço a OB, peço às autoridades, que põe a mãe na consciência"
"Eles quer ferrar nois"

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Professores da UEG não recebem há mais de 3 meses!

Final de junho e professores "contratados" no início do ano não receberam salário algum.
Não consigo imaginar uma situação de maior humilhação a uma classe trabalhadora, como esta - a de não receber o seu salário. Mas na UEG, o desrespeito extrapola os limites possíveis e imagináveis.
Além de não recebermos os salários que nos são devidos, não recebemos informação alguma. Nada. Nenhuma satisfação, nenhuma mentira, nenhuma desculpa, nenhum discurso político demagógico, nada! Simplesmente é isso. Começamos a trabalhar em fevereiro e até agora, nada.
E nada é mesmo a palavra: assim nos sentimos diante do Governo do Estado de Goiás.
O que mais surpreende - acredite, isso ainda é possível, é uma mentalidade medíocre que impera sobre terras goianas, aquela que diz "é assim mesmo, professora, a senhora não sabia? sempre foi assim". Ideologia cruel que interpela os indivíduos desse Estado que são levados a aceitarem suas vergonhas, suprimindo qualquer possibilidade de mudança. "É assim e pronto". Ora, como sabiamente disse minha querida (e frustrada, já que se sente impotente diante da situação) coordenadora de curso: "esse desrespeito pode até ser comum, mas de maneira alguma deve ser normal".
Não há discussão. Se o desrespeito é uma prática comum do Governo do Estado em relação a seus professores, esse já é motivo suficiente para dizermos: Basta!
Não sei dizer ao certo, mas a informação de que disponho graças ao "trabalho investigativo" dos desesperados coordenadores de curso (que já enfrentam perdas no corpo docente) é que na unidade de Formosa são 12 o número de professores que não receberam desde o início do ano, totalizando cerca de 90 professores em todas as unidades da UEG. E o que acontece? NADA....de novo essa palavra.
Estive buscando na internet notícias sobre o abuso e não encontrei nada além de um post do blog de história da unidade de Formosa que aborda a semana de protesto que ocorreu no ínicio do mês na referida unidade.
Aliás, protesto que merece destaque, afinal de contas, dizem os mais antigos da instituição que apesar dessa prática de desmoralização não ser novidade, nunca se registrou mobilização do tipo nos últimos 10 anos! Pelo menos, agora alguma coisa em vez de nada.
Corajosamente diante dessa situação, a Associação dos professores, sob a direção do professor Fábio Santa Cruz, convocou um protesto na unidade da UEG em Formosa no dia 01/06 em solidariedade aos professores ridicularizados. Protesto esse que contou com a mobilização
de quase toda comunidade acadêmica e que rendeu uma semana de paralização de alunos e professores, com manifestação inclusive na Câmara Municipal. (Dava para ouvir as paredes da unidade surpresas cantarem: Aleluia!).
Infelizmente, os protestos não adiantaram muito, apesar de representarem um significativo começo. Novamente, a direção da UEG e o Governo do Estado ignoraram a situação. E seguimos assim, sem perspectivas.
Particularmente, a minha situação humana só não está miresável porque posso contar com o suporte da família, sou solteira, moro com minha mãe e além do mais, disponho de um salário (real) em outra faculdade, uma instituição privada. Mas imagino o aperto por que passam meus colegas, pais e mães de família que se veem agora na obrigação de criar mágicas para sustentarem seus queridos. Jamais me senti tão ridicularizada.
O meu chefe da outra instituição em que trabalho veio assustado conversar comigo esses dias, não acreditava que estava há quase 4 meses sem receber da UEG. Ora, mas eu já lhe havia contado. O fato é que imaginou que fosse brincadeira da minha parte. Parece mesmo brincadeira né!
Essa semana tive uma discussão com meu amigo, um professor alemão. Ele não suportou minhas confidências, minhas reclamações e indignação diante dessa desmoralização que tem me deixado em maus lençóis na praça (as dívidas não páram de brotar...). Sven sucumbiu, ele não entende, é uma realidade muito diferente daquela a que está acostumado e nem sequer consegue imaginar, mesmo sendo um professor de história consciente e viajado que conhece inúmeros países e tem fascinação pela América Latina. "Como não pagam? Como os professores continuam trabalhando? Assim o governo nunca vai pagar. Como você ainda continua lá?" Travamos uma calorosa discussão em que tentava argumentar com base nas nossas ínfimas condições de escolha e na responsabilidade do professor diante de uma situação precária em que os mais prejudicados seriam os alunos...bem, foi algo do tipo. Mas meu amigo não concorda, para eles, os europeus, professor é profissão (e não missão, como corre no imaginário brasileiro - ver post anterior).

Recebi o seguinte vídeo de um amigo espanhol, que parece ter advinhado a situação dos professores da UEG. Se necessitávamos de trilha sonora, pelo menos isso já temos. A letra diz "Pobrezinho do trabalhador, nunca lhe chega o dinheiro...temos o melhor chute para seu traseiro" Embora refira-se ao trabalhador braçal dos minérios, a música é perfeita para nossa situação.
Segue a canção com letra e tradução.



El obrero
La polla records

Pobrecito del obrero, nunca le llega el dinero
(pobrezinho do trabalhador, nunca lhe chega o dinheiro)
Pobrecito del obrero, le pagan poco dinero
(pobrezinho do trabalhador, lhe pagam pouco dinheiro)
Pobrecito del obrero, que nunca tiene dinero
(pobrezinho do trabalhador, que nunca tem dinheiro)
Pobrecito del obrero, no tiene ni pal sombrero
(pobrezinho do trabalhador, não tem nem para o chapéu)

Impuestos al día, alto interés y crédito rápido
(Impostos em dia, grande interesse e crédito rápido)
Somos la mejor esponja, te lo absorvemos todo
(Somos a melhor esponja, te absorvemos tudo)
¡Toma, toma!, nada que no te engaño¡
(Toma, toma, nada que não te engano!)
Somos la tía del anuncio! ¡Esta es tu casa!
(Somos a tia do anúncio! Esta é sua casa!)
¡Tenemos la mejor patada para tu culo!
(Temos o melhor chute para o seu traseiro!)
Yo no maldigo mi suerte, porque minero nací
(Não amaldiçoo minha sorte, porque nasci mineiro)
y aunque me ronde la muerte, no tengo miedo a morir
(e ainda me ronde a morte, não tenho medo de morrer)

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Educação Não é Missão — por Ademir Luiz

Gostaria de divulgar esse excelente texto do professor Ademir Luiz, da Universidade Estadual de Goiás, sobre esse pensamento medieval e medíocre em relação à profissão do professor. Reintero: PROFESSOR NÃO É MISSIONÁRIO, MAS UM TRABALHADOR DIGNO DE SEU SALÁRIO!! Disfrute o texto retirado do portal da UEG, com grifos meus.

Educação Não é Missão
O “discurso missionário” é tão
forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”, para identificá-lo em sua forma mais avançada. Não raras vezes os vencedores são profissionais pouco preparados. Pessoas que mal sabem ler, mas ensinam a ler. Pessoas que mal sabem contar, mas ensinam a contar.

É muito comum escutarmos de certos pedagogos, teóricos do ensino,
secretários de educação, proprietários de colégios particulares e outras pessoas que, em princípio entendem do tema, que o professor é imbuído da “missão” de ensinar. Para eles ser professor é, acima de tudo, um “sacerdócio”. Mesmo a recente substituição da palavra “professor” pela palavra “educador” aconteceu em função deste discurso politicamente correto, que é quase hegemônico. Discurso repetido a exaustão nas universidades, em livros, teses, entrevistas, festinhas escolares, reuniões de pais, reuniões pedagógicas etc, etc e etc. Contudo,
apesar de todas as boas intenções embutidas, tal perspectiva é frágil. Não se sustenta, não resiste a uma análise lógica apurada. Na verdade, qualquer pessoa um pouco mais perspicaz é capaz de perceber que ela é nociva ao desenvolvimento da profissão. Acaba por sabotar a própria condição de profissional do professor.

O “discurso missionário” dilui o caráter intelectual inerente à formação acadêmica do professor. O que resulta em uma filosofia pedagógica frouxa que tende a valorizar mais a “vocação para ensinar” do que o “preparo para ensinar”. O místico em detrimento do pragmático. Senão vejamos: termos como “missão” e “sacerdócio” automaticamente chamam outros como “abnegação” e “sacrifício”. Vista dessa forma a educação deixa de ser uma atividade laica para ganhar ares quase que religiosos. O professor deixa de ser um profissional que estudou muito
para poder transmitir e produzir conhecimento, para ser uma espécie de emissário de algo maior do que ele, uma força superior transcendente para a qual ele cumpre uma “missão” em “sacerdócio”. E, como se sabe, na tradição Ocidental, prática religiosa é sinônimo de sacrifício pessoal. Sacrifícios que variam em grau e intensidade: podem ir desde não comer carne vermelha em um dia específico do ano até a auto-imolação. Daí a razão pela qual, ultimamente, se tem aceitado
com tanta facilidade que professores sejam ameaçados, ofendidos ou espancados por alunos. Daí a razão pela qual, ultimamente, se tem culpado única e exclusivamente o professor quando o aluno não aprende. Daí a razão pelo qual, ultimamente, se especula tanto sobre levar a informática para a escola quando na mesma escola ainda faltam livros didáticos e fotocópias é um luxo. Sendo agredido, reprovando um aluno ou trabalhando em condições precárias, é sempre o professor que falhou, pregam os “especialistas”. Ofício visto como sacrifício.

Em meio a esse ambiente moral, falar em interesses pessoais (quiçá
lucro) ganha ares de mesquinharia. É digno de vergonha confessar que dá aulas apenas para se sustentar, porque é o que sabe fazer, porque gosta ou simplesmente porque é a única profissão que tem duas férias por ano, como dizia César Lattes. Exigem-se sempre ideais elevados. Não basta ser professor, tem que participar. Educação não vem mais de casa, deve ser adquirida na escola. Professor, que em dias remotos foi chamado respeitosamente de mestre, tornou-se educador”.

E o moderno educador deve ser ao mesmo tempo pai, mãe, psicólogo, catequista, enfermeiro, monitor de computação, ideólogo, recreador e agente social do corpo discente ao qual serve. Ensinar e cobrar o que se ensinou tornou-se sinônimo de educação retrógrada. A escola, que antes servia para transmitir às novas gerações a tradição cultural da humanidade, tornou-se uma espécie de shopping. Entra de tudo: de danças eróticas até rap com letras machistas e violentas. Aluno não é mais aluno: é educando, pois, como se sabe, a palavra “aluno” significa “sem luz”. Vê-los como seres “sem luz” é inadmissível e não louvar sua cultura pessoal (quase sempre televisiva e de gueto) é fascismo. Ensinar alta cultura e valorizar a erudição é entendido como deplorável elitismo fora da realidade. Diante dele muitos “especialistas” costumam retrucar sarcasticamente: “e para que serve para o educando saber quem foi Shakespeare?”. Como responder a isto? Afinal, não foi profetizado que “os simples herdarão a Terra”?

De fato, já estão herdando (Rei Lear?). Já vi diversos professores defendendo que normalistas alfabetizadoras deveriam ser mais bem remuneradas do que pós-doutores que passaram décadas estudando para chegar aonde chegaram. A justificativa seria a de que ensinar a ler e escrever é mais “nobre” do que tagarelar em uma cátedra. Se é ou não é pouco importa. O fato é que mais uma vez, passionalmente, sem reflexão, se desdenha os espinhos da teoria em função da ação missionária direta. Ao mesmo tempo, curiosamente, é interessante notar que não é comum entre professores universitários assumirem o
“discurso missionário” no trato com seus alunos de graduação. Ele é difundido, sobretudo, no ensino primário, fundamental e médio. Ou seja: entre aqueles que recebem a teoria, não entre aqueles que a produzem. Exceção feita, claro, para certos catedráticos em didática. Sendo nesses casos impossível saber até que ponto trata-se de mera retórica. Até porque boa parte deles jamais lecionou para as séries sobre as quais teoriza.

O “discurso missionário” é tão forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”, para identificá-lo em sua forma mais avançada. Não raras vezes os vencedores são profissionais pouco preparados. Pessoas que mal sabem
ler, mas ensinam a ler. Pessoas que mal sabem contar, mas ensinam a contar. Em contrapartida, esses “educadores modelo” enfrentam todo tipo de obstáculo para cumprir sua “missão”. Às vezes, acordam às quatro horas da madrugada para fazerem uma viagem de barco de três horas que os levarão até um casebre perdido na floresta amazônica, onde darão aulas para cinco ou seis crianças da região. Sem querer tirar o mérito inegável destas ações, é preciso reconhecer que nesses casos se premia o sacrifício, não a competência propriamente dita; que, sim,
pode até existir, mas é irrelevante diante do exemplo de abnegação que
representam.

Apesar de ter ganhado força no mundo pós-moderno, o “discurso missionário” está entranhado em nossas raízes culturais há séculos.
Por exemplo: praticamente todo manual de filosofia desdenha a contribuição dos sofistas gregos, apontando como um de seus principais vícios o fato de que cobravam para ensinar. Muitas vezes não passam de notas de rodapé. Só aparecem para servir de contraponto à figura gigantesca de Sócrates, o pensador humilde e corajoso que ensinava de graça e que morreu para defender seus princípios. A célebre frase “tudo que sei é que nada sei”, uma das sentenças mais mal compreendidas de todos os tempos, sempre citada como exemplo de ideal pedagógico, joga por terra toda a obra conjunta dos “gananciosos” sofistas. Um grande equívoco, pois, como escreveu o filosofo Gonçalo Armijos Palácios, “eles
foram injustiçados pelo ensino academicista e não receberam o reconhecimento devido”.

Na Idade Média, durante o nascimento das universidades, quando
mestres clérigos passaram a ministrar um ensino desligado do contexto monástico, para burgueses, foram duramente atacados. O futuro santo Bernardo de Claraval, o poderoso abade de Cister, foi um dos críticos mais ferozes da nova pedagogia. Acusava seus defensores de serem meros “vendedores de palavras”, sacrílegos culpados de oferecer para quem quiser pagar a “ciência que só a Deus pertence”. Muita gente foi parar na fogueira por conta disto.

Os séculos seguintes apagaram as fogueiras e fizeram da educação um direito de todo cidadão. Educar as massas tornou-se uma “missão” civilizadora que deveria ser levada a cabo a qualquer custo, mesmo que o preço fosse a vulgarização do conhecimento e o nivelamento por baixo dos envolvidos no processo educacional. Tanto dos mestres quanto dos alunos. Dessa forma, o que ocorreu não foi uma vitória de nenhum dos
lados e sim um armistício, armistício que gerou uma aliança. As duas
perspectivas se fundiram. Infelizmente, o que poderia criar um edificante caminho do meio ao estilo budista acabou por degenerar-se e transformou o professor em um estereótipo sem nuances.

Hoje o “educador” é infantilizado em seu próprio ambiente de trabalho. É constrangido a participar de ridículas dinâmicas de grupo, brincando de dança da cadeira, trocando fitas coloridas, pulando corda ou falando com fósforos acesos na mão. Vê-se levado a ler páginas e mais páginas de metáforas tão bonitinhas quanto inúteis sobre “alunos-sementinhas que crescem com a água do conhecimento” ou sobre “alunos-folhas-ao-vento que devemos recolher e dar direção”. Nesse espírito, em Goiânia, por determinação da Rede Municipal de Ensino, atualmente, o “educador” é obrigado a colorir quadradinhos que ilustrem o rendimento dos alunos, já que pura e simplesmente dar notas e feio, feio, feio!

E o pior é que tais práticas bizarras e alienantes são vendidas pelos
“especialistas” como o supra-sumo da modernidade educacional. Quem não se submete é mal visto e tachado de corta-onda, tradicionalista, antigo. O resultado é que, cada vez mais, o necessário abismo cultural entre “educandos” e “educadores” diminui. Ambos cantam as mesmas músicas no chuveiro, assistem às mesmas novelas e votam nos mesmos candidatos no Big Brother.

O professor está se afastando de forma irrecuperável de sua função intelectual. De contestador e crítico da realidade por meio do ensino, entrega-se sem reagir à condição de marionete artificialmente alegre. Se existe de fato uma “missão” a ser cumprida, trata-se de uma missão suicida. E a lavagem cerebral a qual são submetidos os acadêmicos dos cursos de licenciatura por meio do “discurso missionário” levam-nos a se resignar com facilidade excessiva as suas terríveis conseqüências. Perdemos os referenciais. Há tempos que o ideal de professor deixou de ser o genial Aristóteles para tornar-se a professorinha Helena da novela “Carrossel”.

Ademir Luiz é doutor em História
e professor da UEG. Autor do romance "Hirudo Medicinallis".

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Em processo de mudança

Experimentando novos templates...

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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

"o Tempo não pára"

Preciso registrar um pouco da minha indignação, numa tentativa desesperada de que possa sentir-me um pouco aliviada, mas a canção é mesmo cruel e o tempo não pára...que droga!
E a sensação de que o importante está escorrendo diante dos meus olhos cegos pelas necessidades é mais forte que minha capacidade de respirar. Lá se vão o sol, o dia, as pessoas, as comidas, as músicas, meus livros que ainda não li, as sensações, os perfumes, estradas, luas...
SOCORROOOOO!!!!!!!!
Senhor, me dá sabedoria e forças.
Amém.

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Melhor que Julieta Venegas é Julieta Venegas e algum brasileiro talentoso...

A primeira vez escutei a música da mexicana foi com Lenine (Obrigada Edinho!!), como convidada no dvd do cantor. Perfeito!
"Da miedo del miedo que dá..."



Com Marisa Monte. Linda Canção!! Olha a alegria de Julieta pela participação da brasileira em seu dvd...Coisa de divas.

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Revistas só falam em beleza e conquistas

Nossa, quanto tempo...não vou demorar, só vim aqui postar o texto que foi publicado ontem no portal da UnB sobre a minha pesquisa de mestrado.
Assim, quem não conhece vai ficar sabendo um pouquinho...
Para quem quiser acessar a página, basta clicar aqui



Pesquisa da UnB revela que publicações para adolescentes enfatizam temas como estética, jovialidade e relacionamentos com garotos
Kennia Rodrigues - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Se existe mulher que se encaixa no perfil descrito como ideal pelas revistas femininas, é a leitora-modelo, como já descreveu certa vez o linguista italiano Umberto Eco. O mais preocupante, porém, é que esse tipo de identidade – mulheres lindas, jovens, de cabelos lisos, consumistas e sempre prontas para agradar os homens – se repete nos periódicos para as adolescentes, connforme revelou pesquisa da Universidade de Brasília. As garotas que mal saíram da infância também são bombardeadas com verdadeiros manuais de beleza e de conquista amorosa.

Depois de analisar edições de oito revistas para adolescentes à venda nas bancas brasileiras, a mestre em linguística da UnB Luciane Cristina Lira se deparou com um perfil editorial limitado. Para as meninas, não há opção de leitura diferente de temas como beleza, jovialidade, garotos e modas que estão fazendo sucesso na televisão. “Os principais assuntos são amor, beleza e ídolos. E o amor sempre está legitimando tudo: ‘Você tem que estar bonita para chamar atenção do gatinho’”, destaca Luciane.

Para realizar o estudo, a pesquisadora utilizou como metodologia a análise crítica do discurso, cuja proposta é desvendar fundamentos ideológicos que, construídos como "naturais" ao longo do tempo, tornam-se comuns e aceitáveis. Luciane também lançou mão da linguística sistêmico-funcional, método do linguista britânico Michael Halliday que analisa funções textuais de linguagem e significados.

A feminilidade é um dos elementos mais frequentes nas páginas, quase sempre associada à idéia de beleza e jovialidade. Assuntos políticos ou sobre educação são deixados de fora das páginas. E, se há matéria sobre ensino, o texto trata do cotidiano das adolescentes na escola e dos relacionamentos que elas levam com os amigos.

O estudo também observou que a relação delineada entre a revista e seu público-alvo é de afinidade e confiança. Com linguagem jovem, os textos passam a impressão de que a leitora está conversando com uma amiga experiente. ”Elas trazem um discurso doutrinário, pedagógico, que dá dicas e conselhos. Se colocam como se fossem a melhor amiga das adolescentes. Esses conselhos, na verdade, são normas de comportamento, ditam o que é certo ou errado, o que é adequado ou não”, afirma Luciane.

Os meninos sempre estão em alta e são invariavelmente alvos de conquistas amorosas. “As publicações tratam com muita naturalidade a conquista pelo macho. As roupas, as atitudes, os interesses, ‘o gato’ vai gostar da garota daquela forma”, diz a professora do Departamento de Linguística da UnB, Maria Luiza Salles, que considera a abordagem uma erotização precoce.

ÍDOLOS - Nada de meninos ou meninas que fazem algum bem social, ativistas ambientais ou ganhadores do Prêmio Nobel da Paz. As páginas reservadas aos ídolos estampam rostos e entrevistas com atrizes americanas ou de novelas, cantores de bandas americanas do momento, ou um participante do Big Brother Brasil. “Jogador de futebol também, mas só aquele bonitinho, não pela sua qualidade de esportista. São sempre celebridades efêmeras”, comenta Maria Luiza. Esse tipo de espaço é muito mais evidenciado nas revistas para adolescentes se comparado com os periódicos destinados a adultos.

INFLUÊNCIA – Redatora-chefe de um dos periódicos líderes no mercado editorial juvenil, Tatiana Schibuola defende que o perfil do veículo para o qual trabalha não é “cabeça”. A linha de trabalho da revista, afirma, é responder aos anseios do público adolescente feminino, que encaminha diariamente pedidos à redação.

“Nessa idade, um dos principais focos das garotas é estabelecer relacionamento com meninos. É a idade que ela começa a conhecer seu corpo, aprender a sexualidade”, explica. “Quem elege os ídolos, inclusive, não somos nós, são as leitoras. Essa é a forma como a gente trabalha.”

Professora do Departamento de Psicologia Escolar da UnB, Maria Cláudia Lopes de Oliveira afirma que as revistas para adolescentes traduzem nada mais, nada menos que os valores da sociedade. “Não há como estabelecer uma relação direta entre o que a revista diz e o que a garota vai ser”, diz. “Esse tipo de informação pode reforçar um comportamento ou até contradizê-lo”, afirma.

Maria Cláudia defende que os adolescentes devem ter acesso a todo tipo de informação, o que não impede os pais de apontarem aos filhos a relevância ou não do conteúdo fornecido. “Nunca proibi uma filha jovem de ler revistinhas de banca de jornal. Mas mostrava, por exemplo, que aquela foto traduzia um padrão de consumo que queria tentar impor-se a ela de forma sutil, ou que um testezinho não informava nada, era bobagem”, conta a especialista.

A linguista Maria Luiza Salles concorda que as revistas juvenis para meninas reforçam um fenômeno social, mas acha que os valores difundidos nas páginas podem ser perigosos. “Eu não gostaria de fazer esse juízo de valor, mas é chocante. Eu, como mãe e como amiga de muitas mães, fico preocupada porque são revistas aparentemente inofensivas”, critica.

“Quando a gente lê mais de um exemplar, percebe que esses valores são recorrentes. Aí a gente começa a dar conta que isso pode ser nocivo”, argumenta a linguista.

Daiane Souza/UnB Agência

Bárbara se inspira nos editoriais de moda dos periódicos para renovar o guarda-roupa

Bárbara de Oliveira, 14 anos, lê há um ano uma das revistas para adolescentes mais vendidas no Brasil. A estudante do nono ano do ensino fundamental diz que os editoriais de moda a atraem para as bancas. “Me inspiro nos modelos da revista”, conta. “Eu gosto também porque fala coisas de adolescentes, como espinhas, maquiagem e meninos”, revela.


OUTRAS CONSTATAÇÕES

LINGUAGEM - A linguagem nessas revistas é vazia. Na tentativa de reproduzir o linguajar usado pelos adolescentes, o conteúdo soa forçado e artificial, observa Maria Luiza. “Como ele é redigido por adultos, acaba enfatizando chavões que nem sempre são de adolescentes.”

LEGITIMIDADE - A maneira como os meninos são apresentados nas matérias também é questionada por Luciane. “Eles são agradáveis, simpáticos, inteligentes e bonitos. Têm as melhores características”, afirma Luciane. “E, se a paquera deu errado, a culpa é da garota”, completa.

Ela cita um caso que encontrou em uma das revistas. A chamada estampada na capa convidava as leitoras a conhecerem como 100 meninos gostam de serem paquerados. Ao ler a frase, a adolescente conclui que meninos gostam que meninas tomem a atitude na hora da conquista e isso se torna uma verdade para elas. “Não há como ser questionado”, explica a pesquisadora.

CONSUMO – As sessões de dicas de maquiagem são impregnadas de sugestões de produtos disponíveis no mercado. “Essas dicas não passam de publicidade, porque são acompanhadas pela marca e o preço do produto, o que é muito comum nas revistas em geral”, avalia Luciane.
A autora do estudo identificou em uma das revistas analisadas propaganda de uma marca em meio a passatempos. “A criança ou a pré-adolescente tem aquela página como conteúdo de revista, mas na verdade, é uma publicidade disfarçada de matéria”, diz.

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